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Web Semântica e o efeito do Fax

Lendo o livro do Peter Mika, Web Semântica e Redes Sociais, na parte sobre a adoção da Web semântica, se fala do efeito do Fax, que emperra a adoção em larga escala de RDF e OWL, p. ex.

É mais ou menos assim: quando as primeiras máquinas de Fax entraram no mercado, tinham um preço alto e eram inúteis… Por quê? A utilidade delas vêm do fato de serem capazes de se comunicar com outras. Assim, seu valor de utilidade só emerge proporcionalmente a quantidade de usuários que adotam a novidade. Isso também acontece com tecnologias semânticas, que prometem um mundo de integração, reuso e inferência em dados distribuídos por muitos sítios na Web.

O efeito do Fax será superado!

O efeito do Fax será superado!

E quando é que a Web Semântica será uma tecnologia (1) atrativa, (2) interessante e finalmente (3) indispensável para que haja adoção? Veremos.

Um programador não vai ser um early adopter (1) de tecnologias semânticas caso o big boss não imponha dizendo que é uma ferramenta interessante (2) pra gerir e apresentar o conhecimento dos empregados sobre o domínio da aplicação. Empresas inovadoras estão na fase (1) – há boas idéias por aí e sítios começando. Estes vão fazer gerentes acharem as tecnologias aplicáveis nas empresas (2).

Se todas as empresas usam Fax, o problema pode ser financeiro (3). Clientes são perdidos porque não se adotou uma tecnologia, empresas podem fechar por não terem entrado no campeonato nas fase (1) ou (2). Hoje em dia, quem não faz absolutamente nada com AJAX, PERDE mercado. Quem perder mercado porque não tem um site semantic-aware, adotará a Web 3.0 (3!).

Só não vai atrás da Nova Web quem já morreu!

Só não vai atrás da Nova Web quem já morreu!

O que acontece é: Empresas querem produtividade e talvez só adotem (ou briguem por) uma coisa nova quando o Martin Fowler ou algum guru disser que é bom! Ou quando doer no bolso!

Infelizmente, há ainda muitos gaps na infra-estrutura da Web Semântica: API’s, ferramentas de autoria de ontologias, integração de bancos de dados legados, etc. Pra mim, o que falta são as Killer Applications, que podem surgir a despeito dos gaps. Afinal, nenhum guru iria dizer que “redes socias isso, redes sociais aquilo” se não aparecessem Orkut, Wikipédia, YouTube, Flickr, Del.icio.us, etc.

Há muito para se percorrer, muitos entrarão no meio da competição, que sim, JÁ COMEÇOU. Mas quem não largar na frente pode perder a maratona!

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O jogo dos (meta)dados

Houve uma discussão sobre a burocracia da Web Semântica num post anterior. Precisamos rolar os dados… Devem haver métodos FÁCEIS (user-friendly), xuxu beleza, dinâmicos, sociais, etc (ao quadrado) para representar conhecimento (dados e metadados) de forma organizada e processável. Não precisa ser tão burocrático!

Só assim a Web pode ser semântica numa escala tão grande como ela agora ou ela daqui a 1 ano, 1 segundo. Mas para garantir semântica precisamos de algumas estruturas (e ontologia é apenas uma delas, porém, a mais completa, formal e bem estudada) para organizar a bagunça.

Duas formas de fazer isso que levam muito em consideração o que a Web 2.0 trouxe, sem precisar editar OWL e saber Lógica de Descrição: folksonomias e Wikis Semânticos. Folksonomias já foram explicadas. Wikis Semânticos são ambientes de edição Wiki onde atributos como relações entre páginas, suas categorias e hierarquias podem ser descritas “in a Wiki way”, facinho como editar um artigo da Wikipédia. Uma grande feature de um Wiki Semântico são os links tipados. É só colocar um rótulo no link, é só dizer o que este link significa. Soa fácil né? Pois é! Veja aí a figura. É do artigo sobre a extensão semântica do MediaWiki (software que a Wikipédia usa debaixo dos panos).

Links tipados no SemanticMediaWiki

Links tipados no SemanticMediaWiki

Um usuário comum e saltitante quer tarefas fáceis, produzir ontologias não é uma delas. Eles querem fazer como os times do Renato Gaúcho, BRINCAR! Assim, o conhecimento deles precisa ser capturado com interfaces analfabetas como caixinhas de texto para tags. Até mesmo tipar links pode ser impeditivo. E agora? Vamos precisar dos “engenheiros de conhecimento” da época dos sistemas especialistas e da “I.A. de papai” pra produzir todas as ontologias? I don’t think so.

Com estruturas de semântica fraca como folksonomias temos dados capturados de qualquer tipo de usuário. Podemos então usar técnicas de estatística, processamento de linguagem natural e análise de redes sociais para a inferência de conhecimento mais formal, que pode servir tanto pra melhorar a propria folksonomia ou para agregar serviços ao site que faz uso do sistema de social tagging. Podemos fazer com que isso convirja para uma ontologia!

Além disso, metadados servem para fazer anotação semântica, ou seja, informação numa página que é processada por agentes com conhecimento de ontologias. Por exemplo, usar metadados dublin core para especificar autor, título e outros dados pessoais numa página, de maneira formalizada, é um começo.

Á-RRAI! I-HI! Web Semântica vale UM MILHÃO!

Á-RRAI! I-HI! Web Semântica vale UM MILHÃO!

Finalmente… vamos usar estruturas com semântica formal bem definida como ontologias ou estruturas de semântica leve e depois extrair essas informações? Eis a pergunta que vale 1 milhão de reais, e talvez não precisemos tanto da ajuda dos universitários, MÁ ÔI!

Apresentações

Ícaro Medeiros, 21 anos, mestrando em Ciência da Computação pela UFPE. Graduado no mesmo curso, pela UFAL.

Viciado em ciência, computação, Web e em escrever. É através dessa combinação que surge este blog. Alguns tópicos:

  • Web 2.0: o quê? por quê? pra quê? como?
  • Redes sociais: as mesmas perguntas.
  • Busca: como achar o que queremos num universo de informação?
  • Web Semântica: o que temos até agora?
  • Tags, folksonomias e suas implicações.
  • Ontologias: definições, aplicações, pesquisa.
  • Inteligência Artificial: saindo do mundo acadêmico para a vida real.
  • Arte, tecnologia em geral, cinema, música, literatura, cotidiano (pausa pra respirar)!

Esses tópicos permeiam minha vida acadêmica há algum tempo. O blog surgiu da necessidade de escrever sobre esses assuntos, ter o feedback dos leitores, enfim, criar um centro de informações (a princípio pra mim) e uma comunidade (a princípio contando apenas comigo) sobre esses assuntos.

Espero que esses “a princípio” desapareçam logo e eu tenha leitores ativos, que venham ao blog ler, comentar e procurar informações.

E por que não falar de outras coisas, de música, de literatura, de cinema e qualquer outra aleatoriedade? Estou aqui pra isso também. Afinal, ninguém é de ferro, eu não faço só estudar e os bares existem pra gente beber cerveja e falar sobre arte, certo? Sinta-se, portanto, num boteco. Pode xingar o presidente nos comentários!

Primeiro post “na vera” em breve.


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