Paris, ferro e uma fila gigante pra descer da torre Eiffel. Engraçado, nunca tive tanto apreço por crianças (típico das mulheres), mas via umas crianças de propaganda da Parmalat nessa viagem…. Continuava à espera do elevador pra descer, ele levava uma leva, depois voltava e levava outra leva ao chão.
Calor. E perto de mim, um pai, careca, traços egípcios. Três filhas. Duas mais velhas, 10 e 8 anos talvez, de véu preto. A mais novinha, só com um lenço, branco. Era a mais arredia, queria o sopro dos ventos da boca e do leque improvisado de papel do pai. Achei interessante e sorri pra cena. O pai sorri de volta. As meninas mais velhas e a mãe (mais muçulmanamente vestidas) me olhavam desconfiadas porque eu, achava elas exótica e observava.
Abre-se o elevador que nos faz descer, e desesperados correm pra pegar o elevador, e a família vai. Mas empurrões e passos apressados fizeram uma das meninas ficar contra o ferro, grito, cara de choro, e um pai que salva a menina, empurra e ruge para os empurradores. Era outra família islâmica, um pai e uma filha. Eis o diálogo:
- Você viu o que vc fez? (xingamentos) – fala o pai das 3 meninas
- Mas a minha filha estava sendo empurrada também.
- E daí? Você tava empurrando três!
Fiquei mal com a cena, como é que o idiota justifica ter empurrado uma pra proteger a cria dele? E eu na loucura da cena ainda fui pra cima pra tentar tirar a coitada que tava imprensada contra o ferro e falei “Olha a menina porra”, como se alguém fosse entender. Acabei perdendo a leva de descida e fiquei lá, puto.
No final das contas na hora de cuidar das cria(tura)s a racionalidade e tudo vira selva. Justificável? Nem um pouco.



























